O Tratado Global dos Oceanos, apoiado por 74 países, incluindo o Brasil, visa proteger 30% dos oceanos até 2030 e entrará em vigor em 2026.
O Tratado Global dos Oceanos, conhecido como Acordo de Biodiversidade Marinha Além da Jurisdição Nacional (BBNJ), representa um marco histórico na proteção dos oceanos. Após duas décadas de negociações, a ONU adotou este tratado em 2023, marcando o primeiro instrumento legal internacional abrangente para assegurar a biodiversidade no alto-mar.
Data de Entrada em Vigor e Marcos Históricos
Este importante tratado entrou em vigor em 17 de janeiro de 2026, após alcançar 60 ratificações em 19 de setembro de 2025. Este marco histórico culmina na realização da primeira Conferência das Partes (COP) dos Oceanos em 2026, solidificando o papel crucial da ratificação brasileira.
Aprovação do Brasil: Processo no Congresso Nacional
O Brasil desempenhou um papel vital na ratificação do BBNJ. Após a assinatura em setembro de 2023, o tratado passou por diversas etapas no Congresso, recebendo aprovação na Câmara dos Deputados, passando pela Comissão de Relações Exteriores do Senado em 25 de setembro, e obtendo a aprovação final no plenário do Senado em 30 de setembro de 2025.
Os Quatro Pilares do Acordo BBNJ
O tratado introduz mecanismos fundamentais, como a criação de áreas marinhas protegidas, a partilha justa dos benefícios do fundo do mar, requisitos obrigatórios para estudos de impacto ambiental, e o fortalecimento do conhecimento científico e tradicional. Seus quatro grandes temas são: capacitação e transferência tecnológica, recursos genéticos marinhos, medidas de manejo baseadas em áreas, e avaliação de impacto ambiental.
Meta Global: Proteção de 30% dos Oceanos até 2030
O tratado estabelece a meta ambiciosa de proteger 30% dos oceanos até 2030, uma tarefa grandiosa dada a atual cobertura de apenas 0,9% das águas internacionais totalmente protegidas. Essa meta é central para garantir a sustentabilidade da biodiversidade global.
Impacto para o Brasil e Atlântico Sul
A ratificação brasileira é estratégica por diversas razões: sua posição no Atlântico Sul, sua influência sobre negociações futuras, e seu compromisso com a liderança climática. Especialmente, o Brasil desempenha um papel crucial em bloquear a exploração destrutiva de minerais no fundo do mar.
Proteção da Biodiversidade Marinha em Áreas Internacionais
O BBNJ cobre quase metade do oceano global, protegendo áreas além das Zonas Econômicas Exclusivas (ZEE). Este tratado aborda desafios críticos como sobrepesca, poluição sonora, acúmulo de plásticos e mudanças climáticas que afetam as áreas oceânicas internacionais.
Princípio de Patrimônio Comum da Humanidade
Este princípio fundamental consolida a biodiversidade marinha fora dos territórios nacionais como patrimônio comum da humanidade, implicando novas diretrizes legais e políticas em sua gestão e proteção.
Força Legal e Cumprimento Obrigatório
O tratado BBNJ não é apenas um compromisso simbólico; ele impõe obrigações legais aos países signatários, garantindo que medidas de conservação tenham força de lei e sanções possam ser impostas por não cumprimento.
Contexto da COP30 Brasil e Liderança Climática
A ratificação brasileira reforça o compromisso do país com a agenda ambiental internacional, especialmente sendo o país anfitrião da COP30 em Belém (PA). Este cenário destaca o papel do Brasil como líder climático global e sua contribuição para a sustentabilidade dos oceanos.
Primeira COP dos Oceanos (2OP): O que Esperar?
A realização da primeira COP dos Oceanos em 2026 representa uma oportunidade estratégica para o Brasil articular suas prioridades e assegurar um papel ativo nas futuras decisões e implementações do tratado BBNJ.
Países Signatários e Adesões Globais
Até agora, 74 países já ratificaram o BBNJ, refletindo um amplo consenso global em torno da urgência de proteger os oceanos. Mais de 126 países já assinaram o tratado, demonstrando o apoio contínuo a este esforço conjunto.
Recursos Genéticos Marinhos e Benefícios Compartilhados
O tratado prevê uma estrutura para a repartição justa dos benefícios derivados dos recursos genéticos marinhos, uma questão crucial para os países em desenvolvimento que buscam equidade na exploração destes recursos.
Inovação Tecnológica e Transferência de Conhecimento
A capacitação e transferência de tecnologia são pilares centrais do tratado, prometendo fortalecer a capacidade do Brasil em pesquisas marinhas e medições oceanográficas, ao mesmo tempo que promove o compartilhamento de conhecimento científico.
Crítica e Desafios de Implementação
A implementação do BBNJ enfrenta muitos desafios, incluindo resistências de setores econômicos e a necessidade de regulamentação nacional complementar. Contudo, o Brasil tem a oportunidade de ser protagonista na resolução dessas questões, alinhando desenvolvimento econômico com sustentabilidade ambiental.
*Texto produzido e distribuído pela Link Nacional para os assinantes da solução Conteúdo para Blog.
